quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

POST#005 TEMPOS MODERNOS (1936)


Sir Charles Spencer Chaplin, Jr., KBE (Londres, 16 de abril de 1889 — Corsier-sur-Vevey, 25 de Dezembro de 1977), mais conhecido como Charlie Chaplin, foi actor, director, bailarino, argumentista e músico britânico. Chaplin foi um dos actores mais famosos do período conhecido como Era de Ouro do cinema dos Estados Unidos.


Além de actuar, Chaplin dirigiu, escreveu, produziu e eventualmente compôs a banda sonora de seus próprios filmes, tornando-se uma das personalidades mais criativas e influentes da era do cinema mudo. Chaplin foi fortemente influenciado por um antecessor, o comediante francês Max Linder, a quem ele dedicou um de seus filmes. A sua carreira no ramo do entretenimento durou mais de 75 anos, desde suas primeiras atuações quando ainda era criança nos teatros do Reino Unido durante a Era Vitoriana quase até sua morte aos 88 anos de idade... (in Wikipidea)

E podíamos continuar a descrever toda a vida e obra de Charles Chaplin pois seguramente que teria muito que escrever e dizer, mas para isso este blog teria que se destinar única e exclusivamente à grande obra que nos deixou Chaplin portanto vamo-nos focar no filme "Modern Times".

"Modern Times" é uma sátira sobre o avanço da tecnologia onde um operário fabril e  a sua companheira (Paulette Goddard) são os únicos "seres humanos" num mundo de "robots" literalmente assimilados pelas engrenagens da maquinaria. 

O facto de este filme ser mudo (apesar das inúmeras legendas e da canção de Charlot) quando o cinema sonoro já era uma realidade revela uma fidelidade de Chaplin aos princípios da sua arte e uma relutância à evolução sonora só com objectivo de agradar ao público como seria o caminho mais fácil. Charlot, tal como o seu criador, também se recusa a fazer parte da engrenagem das máquinas estando assim a mais num universo tão bem organizado e mecanizado diferenciando-se dos seres amorfos que o rodeiam. A breve cena em que Chaplin é "engolido" pela a máquina seguindo nas suas engrenagens mas depois consegue escapar consegue descrever o próprio sentido do filme.

Lutando contra a vida mecanizada, a autoridade dos lideres "distantes" e o progresso puramente material que nos transformam em escravos Chaplin defende em "Modern Times" que a dignidade do ser humano está acima de tudo. 

Chaplin no entanto não serve nenhuma causa nem tem qualquer propósito político, quaisquer que sejam. No entanto como podemos ver na cena em que Charlot é apanhado no meio de uma manifestação sem que faça nada por isso também Chaplin lutará pela dignidade dos homens pois é livre no seu pensamento.

"Modern Times" é portanto muito mais do que um simples filme cómico é um apelo para que o ser humano esteja sempre acima de tudo o que é material e tal como Charlot nos mostra, a incerteza do futuro permite-nos sempre todos os sonhos e esperanças.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

POST#004 FAUSTO DE MURNAU (1926)



Hoje falamos de uma das maiores obras do cinema mudo, Faust (em alemão: Faust - Eine deutsche Volkssage) dirigido por Murnau. Foi produzido em 1926 pela UFA (Universum Film AG) e foi baseado no lendário conto de Fausto na sua versão clássica de Goethe contando com um elenco de luxo composto por Gösta Ekman como Faust, Emil Jannings no Mephisto, Camilla Horn como Gretchen / Marguerite, Frida Richard, como sua mãe, Wilhelm Dieterle como seu irmão e Yvette Guilbert como Marthe Schwerdtlein, sua tia.
O filme é uma obra prima muito próxima da fotografia artística contendo imagens inesquecíveis com especial atenção aos contrastes de claro e escuro, era também muito avançado para a época pois contém efeitos especiais fabulosos como por cena em que o gigante Mephisto (Jannings) paira sobre uma cidade para espalhar a peste negra.

Breve Resumo do filme:
A história começa com Mephisto a apostar com um anjo que consegue corromper a alma de um homem justo. Se ganhar, o Diabo vai ganhar domínio sobre a terra.
O Diabo espalha a peste na aldeia onde vive Fausto, um alquimista idoso. Embora ele tente encontrar o remédio para a cura e reze para que a morte e a fome acabem, nada acontece. Fausto faz então um acordo com o Diabo durante um dia, marcado por uma ampulheta de areia  Fausto terá ao seu serviço Mephisto depois disso o Diabo vai rescindir o pacto. Fausto usa o seu novo poder para ajudar o povo da aldeia, mas quando aparece uma mulher com uma cruz ao pescoço para ser curada, Fausto não consegue enfrentar a cruz fazendo com que o povo perceba o seu pacto com o diabo.
Mais tarde, Mephisto dá a Fausto de volta a sua juventude e oferece-lhe prazeres terrenos levando-o para a celebração Walpurgisnacht sobre "Bald Mountain". Fausto apaixona-se por uma rapariga pura, Gretchen e pede a mephisto que a faça apaixonar por si. A determinada altura Fausto quer encontrar-se com Gretchen e pede ao Diabo que vá empatar o irmão desta, mas este faz precisamente o contrario e provoca o confronto entre os dois. O irmão é morto por mephisto e Gretchen é acusada pela morte do mesmo sendo rejeitada pela tia e toda a aldeia Fausto desaparece. Gretchen tem um filho de Faust, mas é expulsa por todos quando pede ajuda no meio de um nevão e a criança acaba por morrer. Ela é enviada para o fogo acusada de ser assassina do seu próprio filho. Fausto vê o que está a acontecer e ordena a Satanás que o leve lá. Fausto chega quando o fogo é ateado para queimar seu amante. Satanás  faz com que Fausto volte a ser velho pois ele nunca pediu para ter sua juventude de volta e é como um homem velho que Fausto se atira para a fogueira para junto de Gretchen. 
Gretchen reconhece Faust e vê-o como um jovem outra vez enquanto o fogo os consome juntos.
Entretanto o anjo revela a Mephisto que perdeu a aposta porque o amor triunfou sobre todos.

Fausto teve um impacto brutal não só na maneira de filmar como nos efeitos especiais utilizados. Depois da rodagem de Fausto Murnau partiu para os Estados Unidos assinando um contracto com William Fox para rodar "Sunrise" em 1927.

Algumas curiosidades:
• Não era para ser Murnau a dirigir o filme mas sim  Ludwig Berger.
• Fausto de Murnau foi a produção mais complexos e caros empreendidos pela UFA. As filmagens levaram seis meses e um custo de 2 milhões de marcos.

Este link é muito interessante e merece dar uma olhada:
http://www.cineplayers.com/critica.php?id=1385


PS o cartaz é uma obra prima, lindo.

domingo, 24 de janeiro de 2010

POST#003 BAUHAUS (1919-1933) – A ARTE FUNCIONAL



Surge em 1919, na Alemanha, em Weimar, fundada pelo arquitecto alemão Walter Gropius como uma escola de artes que propunha fazer a interligação entre artes aplicadas e belas-artes.

O seu programa, assinado por Gropius, lançou um projecto pedagógico inovador que assentava no trabalho de equipa e na interacção teoria/prática, concedendo, igualmente, grande liberdade de criação e de concepção. Esse programa foi executado por um grupo escolhido de professores, operários industriais e artistas plásticos que funcionaram em sistema de cooperação e interacção. Deste modo, a Bauhaus exerceu um papel de charneira na formação de novos artistas, na renovação da pesquisa plástica e na modernização do desenho industrial alemão.

O período de Dessau, entre 1924 e 1930 foi o mais fecundo e próspero da Bauhaus. Ultrapassadas as tendências expressionistas da primeira fase, a escola orientou-se por critérios funcionalistas e racionais, defendendo a actualização tecnológica e a normalização do desenho industrial.

Na Bauhaus, a Gropius sucedeu Hannes Meyer e Mies Van Der Rohe, no período em que a escola funcionava na Alemanha em Berlim. Aqui, produziu uma arquitectura racionalista e estruturalista, assente em soluções técnicas avançadas, com base no esqueleto em caço e em materiais modernos (mármore e vidro sobretudo). Explorou novas concepções espaciais, norteadas por elevados padrões estéticos, os quais pugnavam pela simplicidade formal e estrutural, que em exteriores que nos interiores, onde o espaço se desenvolve em continuidade.

POST#002 O INÍCIO PARTE 2

 ... A torre de Trajano é uma obra de arte fantástica mandada construir pelo Imperador romano Trajano (18 de Setembro 53 — 9 de Agosto 117) ao arquiteto Apolodoro de Damasco para comemorar as vitórias das campanhas militares contra os Dácios
Ao longo desta coluna é contada a história da guerra contra os dácios através de figuras em baixo relevo. Foram utilizados técnicas artísticas revolucionárias para a época e que ainda hoje são aplicadas em muitas técnicas cinematográficas, como a utilização de uma árvore para separar uma cena de outra(corte de um plano para outro no cinema), olhando ainda a coluna de certa posição é possível observar na vertical um "trailer" de toda a história, o primeiro trailler da história. No entanto existe quem considere esta torre um monumento em homenagem a um "genocídio" pois mostra o massacre que os romanos fizeram contra os dácios.

No final desta aula "viajámos" até à Austrália ao encontro dos aborígenes e recuámos 40000 anos no tempo para conhecer as pinturas rupestres em pedras Pedras. São possivelmente a mais antiga iconografia da figura humana em todo o mundo. Estas pinturas contavam histórias de geração em geração em rituais de iniciação. Mas o que mais fantástico tem esta história é o facto de os aborígenes acrescentarem às suas imagens música o que fazia com que essa combinação mágica cativa-se tudo e todos fazendo com que fossem "transportados" para dentro da história. Foi Sir  David Attenborough o primeiro ocidental a ser convidado para assistir a um destes rituais quando seguia os costumes de uma tribo. Ficou espantado com o facto de serem verdadeiros artistas que passam a vida a pintar. OS aborígenes foram os primeiros a fazer um "filme" com som, tudo isto à 40.000 anos atrás. Simplesmente fantástico.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

POST #001 O INÍCIO PARTE I

Boa noite! Hoje foi a "primeira" aula de Cultura Visual.

Desde sempre o homem tentou representar as suas "histórias" nas mais variadas formas. Aquilo que falamos hoje pode considerar-se o início das histórias de heróis ou mitos, no fundo o início das representação através de imagens conjugadas com som e como ainda hoje no cinema recorremos a técnicas semelhantes que foram aplicadas nesse tempo. Estas últimas por incrível que pareça são muito anteriores às que eram apenas visuais.

Mas comecemos pelo berço da civilização, a Mesopotamia. Centrada na região do alto e no que é hoje o Iraque existiu a civilização Assíria.
Durante o Antigo Período Assírio (do século XX ao XV a.C.), Assur controlou a maior parte da Alta Mesopotâmia. No Período Assírio Médio (do século XV ao X a.C.) a sua influência declinou, e só foi reconquistado posteriormente, após uma série de conquistas. O Império Neo-Assírio do início da Idade do Ferro(911-612 a.C.) expandiu-se ainda mais, e sob Assurbanipal (c. 668-627 a.C.) controlou, por algumas décadas, todo o Crescente Fértil, bem como o Egito, antes de sucumbir à expansão neo-babilônia e, posteriormente, persa.
E é de Assurbanipal que falamos foi ele o responsável pela primeira  história épica. Apesar do "argumento" não ser seu pois é baseada em Gilgamesh (o primeiro herói cuja história foi escrita), este último rei Assírio mandou reproduzir em relevo na pedra 4 imagens que descreviam o seu combate com um leão.  Assurbanipal assumia o papel do herói que sozinho, e com a sua espada, mata o leão que vinha a correr em sua direcção depois de ser libertado de uma jaula.



Foi Assurbanípal que relatou através de imagens em relevo a segunda história heróica, ao descrever a batalha de Til-Tuba em que derrotou os elamitas matando também o seu Rei Teumann. Este foi o primeiro "storybord" da história.


Mas faltava qualquer coisa nesta obra apesar de ser notável. Se observarmos com atenção todos as pessoas representadas nesta história não tem expressão estejam elas a matar o inimigo quer o próprio inimigo por exemplo. Todos os rostos aqui representados eram inexpressivos.Então para encontrarmos expressão no representação de histórias épicas temos de viajar ao encontro dos gregos obcecados pelas suas histórias e mitos. Uma das suas maiores histórias escritas foi a Odisseia de Omero que relata os feitos do herói Odisseu ou Ulisses (em Latim). Em Sperlonga uma aldeia na costa de Itália encontramos uma caverna com estátuas de Ulisses e que era usada como sala de jantar; aqueles que comem por aqui, poderia olhar para dentro da caverna interior, onde algumas estátuas esplêndidos foram erguidas. Uma dessas estátuas captura o momento exacto de tensão máxima mesmo antes do climax que é Ulisses a cegar o ciclope Polifemo porque este é o momento mais expressivo de toda a acção, o resto nós podemos imaginar. Aqui o herói tem emoções e identifica-se com as emoções. No entanto se queremos encontrar uma narrativa completa temos de ir ao encontro da Torre de Trajano mesmo no meio de Roma...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

POST#000 A definição

Cultura visual é um campo de estudo que geralmente inclui alguma combinação de estudos culturais, história da arte e antropologia, enfocando aspectos da cultura que se apóiem em imagens visuais. Entre os teóricos dos estudos culturais que trabalham com a cultura contemporânea, isto freqüentemente se sobrepõe à filmologia e aos estudos sobre televisão, embora também possa incluir o estudo de vídeo-games, HQs, mídia artística tradicional, publicidade, a internet e qualquer outro meio que possua um componente visual crucial.
in Wikipedia